CUIDADO....ESTES ANIMAIS DE ORGANIZADAS NÃO MEDEM CONSEQUENCIAS
O ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo no dia 7 de janeiro, em Paris, que resultou em 12 mortes, trouxe para o centro do debate global a discussão sobre a liberdade de expressão. Durante esses debates, muitos relativizaram ao argumentar que os chargistas entraram em um terreno perigoso, o da religião. No Brasil, quando o tema é o futebol, as coisas não são muito diferentes.
Na semana passada, o chargista paulistano Diogo Salles retratou os presidentes do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, e do Palmeiras, Paulo Nobre, trocando um beijo caloroso. Ambos observados pelo palmeirense Dudu e pelo são-paulino Alan Kardec, atacantes que foram alvos de disputa entre os dois clubes. Provocativa, a charge, inspirada no Charlie Hebdo, ataca a postura dos dirigentes e mexe naquele que, segundo o autor, é o maior tabu no futebol brasileiro: o homossexualismo.
A charge foi publicada no SPFCharges, que Diogo dedica ao São Paulo no ESPN FC, que abriga blogs de torcedores. Ela também é uma homenagem ao cartunista Charb, morto no ataque em Paris.
"Houve um ataque em bloco, pela internet, dos torcedores do Palmeiras, que se sentiram ofendidos pela charge. "Sofri várias ameaças violentas, muita gente pediu para que eu não mexesse com isso. É uma tradição brasileira, de se deixar tudo como está", diz.
Salles, que foi chargista do extinto Jornal da Tarde por cinco anos, conta que desde aquela época, as charges que envolviam futebol eram as que mais geravam críticas. "Das sete charges que eu fazia por semana, pelo menos uma era de futebol".
Ele explica: "os torcedores agem como em um regime fechado. Dos tabus do futebol, a homofobia é o maior. O racismo também é uma coisa que incomoda demais. Uma coisa interessante é como o torcedor vê. Eu brinquei com os dirigentes, que são políticos. Mas eles encaram como uma ofensa ao clube e não é nada disso. No racismo não vejo onde explorar, a não ser subverter. Atacar a homofobia, só com sátira".