
A torcida do Palmeiras tem um grito para Felipe Melo. Ele sempre é chamado de "pitbull" e "cachorro louco" antes do apito inicial. Foi assim novamente na dramática classificação da última quinta-feira, com derrota por 1 a 0 para o Cerro Porteño, da qual ele participou por apenas três minutos. Até ser expulso por causa de um de seus ataques de fúria.
O cartão vermelho foi justíssimo. Ao adiantar demais uma bola na intermediária ofensiva, Felipe Melo poderia ter simplesmente cercado Víctor Cáceres, volante adversário. Poderia até, vá lá, ter entrado firme na dividida. Mas não como fez, erguendo a sola e descendo as travas da chuteira do joelho ao pé do paraguaio.
Felipe Melo é um jogador de técnica rara. É provavelmente a opção no elenco com a melhor saída de bola. Mas a que custo? Felipe Melo é, antes, um jogador que coleciona problemas. Em menos de dois anos no clube, não foram poucos.
No primeiro duelo com o Cerro Porteño, vencido por 2 a 0 em Assunção, causou polêmica antes do aquecimento em campo ao fazer um gesto obsceno em direção à arquibancada – que ele alegou ter sido resposta a um grito de "macaco".
Mas voltemos à última quinta-feira. Sua expulsão aos três minutos comprometeu toda o planejamento que Felipão tinha para enfrentar o Cerro Porteño, com uma boa vantagem. Poderia muito bem ter comprometido um projeto todo do clube.
O Palmeiras, que tinha a vantagem de perder por um gol de diferença, se limitou a defender com um homem a menos. O time paraguaio insistiu até vazar o goleiro Weverton no começo do segundo tempo. E seguiu buscando um segundo gol, que levaria a decisão aos pênaltis.