Por questões trágicas e violentas, a terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, que se encerrou neste final de semana, era para ser esquecida. Se no gramado a bola até rolou com qualidade e os gols saíram, nas arquibancadas e arredores dos estádios o que se assistiu foram verdadeiras cenas de guerra e vandalismo. No Recife, logo após o término da partida entre Santa Cruz e Paraná, um torcedor acabou morto atingido por um vaso sanitário. No Serra Dourada, torcedores símbolo do Vila Nova protagonizaram cenas vergonhosas.
Em meio a toda discussão do racismo no futebol (levantado com mais força com a campanha #somostodosmacacos) mais um problema social que interfere no esporte voltou à tona: a violência. Mais lamentável é que em ambos os casos na Série B deste final de semana, se deu entre torcidas do mesmo time, que entraram em confronto por motivos ainda investigados. O caso fatal do recife, por exemplo, pode ter acontecido pelo torcedor morto ser do rival do Santa Cruz, Sport.
Segundo a Polícia Militar, a vítima foi identificada como Paulo Ricardo Gomes da Silva. Ele vestia uma camiseta preta e seria torcedor do Sport, cuja torcida organizada é aliada da uniformizada do Paraná.
O objeto foi atirado da parte superior das arquibancadas e caiu perto dos portões 6 e 7, na Rua das Moças, um dos principais acessos ao local. Uma briga entre as torcidas, iniciada após o fim da partida, teria motivado o ocorrido.
Após a morte, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) divulgou uma nota em que informava a interdição preventiva do estádio, sob o apoio da Polícia Militar, que ainda investiga o caso a fundo.
"Considerando o grave incidente ocorrido na noite de ontem (sexta-feira) no Estádio do Arruda e arredores, em Recife, após o encerramento da partida Santa Cruz x Paraná, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série B, do qual resultou uma vítima fatal, a CBF, através das suas Diretoria de Competição e Diretoria Jurídica, vem pelo presente ato administrativo, interditar o Estádio do Arruda até que o processo relativo ao incidente seja apreciado pelo STJD", explicou a nota assinada pelo diretor de competições, Virgílio Elísio da Costa Neto, e o diretor jurídico, Carlos Eugênio Lopes.
Torcedores-símbolo em contradição
A torcida do Vila Nova não está muito contente com o time. Depois do rebaixamento no Campeonato Goiano, o clube entrou pressionado para a disputa da Série B e a cada vexame, é vaiado e causa irritação em seus adeptos. Neste sábado, enquanto o Tigre enfrentava e perdia para o Avaí por 1 a 0, dois torcedores-símbolo se enfrentaram.
Famoso pelas lamparinas que acende durante as partidas do Vila Nova, o torcedor conhecido como Bin Laden foi atacado pela torcedora-símbolo Nega Brechó. Irritada com a atuação do time, a torcedora quebrou as lamparinas de Bin Laden, que em uma atitude inusitada, pegou um pano branco e utilizou como bandeira, como se estivesse indicando que queria paz.
Enquanto os dois torcedores entravam em contradição, torcedores da organizada do time goiano também se enfrentaram ainda dentro do estádio e trocaram empurrões, socos e outros tipos de agressão. A Polícia Militar precisou intervir.
O confronto não foi percebido pela arbitragem, que não relatou na súmula da partida. A PM de Goiânia ainda procura imagens para punir os agressores.